sexta-feira, 3 de julho de 2009

Atiq Rahimi: "o escritor está destinado a ultrapassar fronteiras"


Atiq Rahimi e Bernado de Carvalho fizeram aquela que foi a melhor mesa de debates da FLIP desta sexta-feira - que ainda tem muito a oferecer ao grande público que comparece à festa em Paraty. Nascido em Cabul (Afeganistão), Atiq Rahimi é uma das vozes que, dentro da literatura, retrata a condição do mundo muçulmano - e, em especial, da mulher muçulmana. Fora do Afeganistão, Atiq estudou francês e, por consequência, acabou produzindo sua literatura nesse idioma - fato que o insere no panorama da literatura francesa atual.


Por outro lado, Bernado Carvalho é brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, em 1960, e - de acordo com Beatriz Fonseca, mediadora do debate e professora de literatura comparada na UFRJ - é hoje um dos principais nomes da prosa brasileira.


Sob o tema "O avesso do realismo, " os escriotres foram instigados a discutir a questão da tradução e da recepção de suas obras nos mais diversos países. Sobre o assunto, Atiq comentou que seu primeiro livro em prosa foi divulgado no Afeganistão e posteriormente reeditado no Irã. "Quiseram tirar mais de 40 páginas", disse Atiq, "mas os meus livros já são curtos, e eu achei que não sobraria nada." Outros tantos livros não foram traduzidos nem chegaram ao Afeganistão - país de origem do autor -, mas atualmente há tradutores trabalhando nesse projeto, informa Atiq. "Não sei como vai ser a reação dos afegãos em relação a esses livros, mas veremos" - disse ele.


Ainda sobre a tradição da literatura do Afeganistão, Atiq relatou que nela não existem romances. "A arte de escrever romances não existe no Afeganistão. Se escreve muita poesia, muitos contos. Mas romance não existe". Atiq disse ainda que sofreu forte influência da literatura persa, sendo que provavelmente a economia verbal e o aspecto poético de seus textos vêm desse universo.


Bernardo Carvalho, por sua vez, disse não acreditar muito no aspecto exageradamente universal da literatura - e que seu livro, "Mongólia," por exemplo, não diz respectivamente sobre a Mongólia - sendo que seu enredo apenas foi concebido nesse cenário. Carvalho discordou de Atiq Rahimi quando o autor afegão sentenciou que o"escritor está destinado a ultrapassar fronteiras". Atiq defendeu-se, dizendo que, para ele, "o escritor é um ser errante, e a palavra, como o escritor, também é um ser errante."

Confira a programação da FLIP para esta sexta-feira!

Hoje deve ser, esperamos, um dia muito especial na FLIP. Afinal, entre os autores elencados para esta sexta-feira estão, nada menos, que Chico Buarque de Holanda, Milton Hatoum, Cristovão Tezza e Edna O´brien. No entanto, a mesa mais esperada (e que desde a abertura da venda de ingressos, em 1 de junho, tem os lugares totalmente esgotados) acontece às 19 horas - e tem como debatedores Chico Buarque e Milton Hatoum. Todavia, o mexicano Mario Bellatin também é uma das personalidades que estão atraindo às atenções da mídia e do público. Em coletiva dada à imprensa, na tarde de ontem (a qual a equipe do EDUCATIVA esteve presente), Bellatin comentou sobre a aproximação que o público leitor faz entre sua obra e o universo da genética e de suas mutações. "Não se tratam de mutações genéticas" - declarou o autor - "mas de elementos do mundo contemporâneo." É esperar para ver.
O EDUCATIVA acompanhará de perto a programação da FLIP desta sexta-feira, e trará a você, ao longo do dia, o que de mais interessante acontecer por aqui!
Acompanhe abaixo a programação da FLIP para hoje:
10h - "Evocação de um poeta": Heitor Ferraz e Eucanaâ Ferraz.
11h45 - "O Avesso do Realismo": Atiq Rami e Bernardo de Carvalho.
15h "Sentidos da Transgressão": Edna O´brien e Liz Calder.
17h - "O Eu Profundo e os Outros Eus": Mario Bellatin e Cristovão Tezza.
19h - "Sequências Brasileiras": Chico Buarque Milton Hatoum.

Deus é um delírio! Richard Dawkins encerra o primeiro dia de debates na FLIP!


O que você diria a Deus se você morresse e fosse recebido por Ele no céu, perguntou o jornalista Sílio Boccanera a Richard Dawkins, biólogo darwinista-naturalista, autor do livro "Deus, um delírio." "Bem, eu perguntaria a ele qual deus ele é" - respondeu ironicamente Dawkins. Defendendo a tese de que Deus é uma criação puramente absurda e impossível, Dawkins pauta suas observações na ciências naturais e biológicas - e, em especial, na neurologia. "Tudo o que somos, tudo o que vemos, é uma criação de nossos neurônios" - declarou o biólogo. "O vermelho, por exemplo, nem sabemos se o vermelho que eu vejo e vocês veem é, de fato, o mesmo vermelho que todos veem". Assim também Deus, para Dawkins, é um ilusão, uma criação mental elaborada num delírio coletivo.

Todavia, vale dizer que, de certa forma, talvez o cientista tenha traído sua própria teoria quando foi convidado a comentar sobre a poesia. "Não entendo a poesia. A poesia me emociona de uma forma que eu não consigo entender" - comentou o Dawkins. De fato, a poesia não é apenas uma criação neurológica e sua emoção vai, nós aqui do EDUCATIVA acreditamos, muito além da ciência positivista e da lógica.

A poesia está, assim, muito mais próxima do divino...

As verdades (inventadas) de Arnaldo Bloch, Sérgio Rodrigues e Tatiana Salem Levy agitaram a terceira mesa de ontem


Quais as fronteiras entre a realidade e a ficção? Quais os limites entre o real e o ficcional dentro de uma autobiografia? O que um autor deixa transparcer de si em seus romances? Quais são as verdades invetadas pela literatura? Verdade e ficção, autobiografia e literatura foram os pontos que uniram Arnaldo Bloch, Sérgio Rodrigues e Tatiana Salem Levy na terceira mesa de debates de ontem, na FLIP. Mediados pela professora de literatura comparada, Beatriz Rezende, os autores leram trechos de seus romances e revelaram algumas das etapas do processo de criação de seus livros. Arnaldo Bloch, por exemplo, abriu sua fala mostrando ao público uma foto sua, publicada na capa da revista Manchete - quando ele tinha, então, apenas 1 ano de idade. Descendente direto do clâ dos Bloch - proprietários da antiga rede Manchete -, Arnaldo revela em seu livro detalhes da vida de seu pai e de seus tios (Arnaldo, Boris e Adolfo).

Já Tatiana Salem Levy, vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura de 2008 (versão autores estreantes), comentou sobre a origem "familiar" do mote que move o seu premiado romance "A Chave da Casa." Segundo Tatiana, o romance é "uma viagem de busca ao passado de uma família" - partindo-se da ideia de que os judeus, no século XX, ao serem afastados de suas casas, levavam consigo a chave delas, na esperança de que, um dia, pudessem revê-las.

Sérgio Rodrigues, por sua vez, destacou a importância do processo de reescrita quando da elaboração de seus livros: "acredito muito na reescrita," revelou o escritor.

Testadas as fronteiras da realidade e da ficção, ficam as sugestões de leitura dos livros desses autores (e o EDUCATIVA sugere aqui, de forma bem passional, a leitura de "A Chave da Casa," de Tatiana Salem Levy, e "Os Irmãos KaramaBloch," de Arnaldo Bloch).

"Freud era um cara muito esperto..." Domingos de Oliveira na FLIP 2009!

O drama das separações e as possibildades de se explorar esse tema nos roteiros de cinema foram os pontos altos da mesa da qual participaram Rodrigo Lacerda e Domingos de Oliveira. Medidados por Paulo Roberto Pires, e tendo como mote a expressão "Separações," os autores exploraram o complicado universo que envolve as relações conjugais. Sempre muito bem humorado, o cineasta Domingos de Oliveira tirou do bolso pérolas como "Freud foi um cara muito esperto..." - ao afirmar que o pai da psicanálise já entendia direitinho dos problemas da vida amorosa. Encerrando a mesa, Oliveira ainda antecipou em primeira mão a temática de seu novo roiteiro - que ainda aguarda patrocínio para sair da gaveta - "separações 2"! Nesse novo roteiro, segundo o cineasta, as complicações da vida amorosa continuam a sustentar a trama do filme - com um grande diferencial: agora os protagonistas vão, dentro do enredo, simular que estão se separando para, assim, poderem viver melhor.
No fim das contas, parece que Domingos de Oliveira nos propõe que os problemas conjugais podem até mesmo ajudar a aquecer a relação. É epserar para conferir.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O mundo das HQs na FLIP 2009!


Rafael Coutinho, Fábio Moon, Gabriel Bá e Rafael Grampá estão, com certeza, entre os melhores artistas brasileiros do mundo fantástico das HQs. E esse grupo abriu a primeira série de debates desta quinta-feira, aqui na FLIP, em Paraty. Num bate papo para lá de descontraído, mediado por Joca Rainers Terron, esses fantásticos "hquistas" discutiram questões importantes que envolvem a produção das HQs no Brasil e no exterior. O grupo deixou claro a sua luta pela fixação desse gênero artístico que, segundo eles, ainda não possui um grande público "consumidor" no Brasil.

A FLIP continua a todo vapor e a programação desta quinta-feira apresenta ainda:

Mesa 02- Rodrigo Lacerda e Domingos de Oliveira.

Mesa 03 - Arnaldo Bloch, Sérgio Rodrigues e Tatiana Salem Levy (que acaba de receber o prêmio São Paulo de Literatura, na categoriade autores estreiantes).

Mesa 04 - Richard Dawkins - tendo como debatedor o jornalista Silio Boccanera

DAVI ARRIGUCCI JR. E SHOW DE ADRIANA CALCANHOTO ABREM A FLIP 2009


Em tom descontraído e agradável, o crítico Davi Arrigucci Jr. abriu ontem a programação da FLIP 2009. Tendo a responsabilidade de fazer um breve resumo crítico da obra do poeta Manuel Bandeira, Arrigucci destacou os pontos pitorescos e saborosos que ligam a vida e a obra de Bandeira. Passando pelos principais poemas de "Estrela da Vida Inteira" e "Libertinagem," o crítico desfiou um novelo de casos e histórias que, possivelmente, estão na base da construção da obra desse que era chamado de o "São João Batista do Modernismo." Da infância triste à vida quase miserável na Lapa, passando pela eterna eminência da morte, pela solidão e pela vida boêmia, David Arrigucci apresentou ao público um Bandeira cheio de melancolia, de lirismo, mas materialista e preso à realidade que o cercava. Já no final de sua conferência, o crítico ainda pode comentar sobre o aspecto musical da obra de Bandeira, destacando a preocupação do poeta em relação às questões da melodia e da sonoridade.

Após a conferência da Davi Arrigucci Jr., o público pode conferir o show de Adriana Calcanhoto.